Por que tantas mulheres ainda morrem dentro de casa?
- Isabor Braz

- 23 de jan.
- 3 min de leitura
Por Isa Atualiza
Os números não param de crescer. Em diferentes regiões do Brasil, os casos de feminicídio seguem aumentando e, por trás de cada estatística, existe uma história interrompida, uma família devastada, uma vida que poderia ter sido protegida.
A maioria dessas mortes não acontece na rua, nem em situações inesperadas. Elas acontecem dentro de casa. No lugar que deveria ser o mais seguro.
E é impossível não se perguntar: qual é a hora certa de parar? De sair. De pedir ajuda. De romper o silêncio. De escolher a própria vida.
Quando a violência começa antes do golpe
Raramente a violência surge de forma repentina. Antes da agressão física, quase sempre existe uma sequência de sinais que vão sendo normalizados com o tempo.
Ciúme excessivo disfarçado de cuidado. Controle sobre roupas, amizades e redes sociais. Humilhações “em tom de brincadeira”. Afastamento da família. A sensação constante de medo ou insegurança.
Muitas mulheres não percebem que estão vivendo uma relação abusiva. Outras percebem, mas acreditam que o parceiro vai mudar, que a fase difícil vai passar, que o amor é suficiente para resolver tudo.
Mas a violência não começa no corpo. Ela começa no controle.
Por que os casos estão aumentando?
Especialistas apontam diferentes fatores para o crescimento do feminicídio no Brasil: desigualdade de gênero, cultura machista ainda muito presente, dificuldade de acesso à rede de proteção e, principalmente, a naturalização da violência dentro das relações.
Em muitos casos, a mulher convive durante anos com agressões psicológicas e ameaças antes que a violência se torne fatal. E, infelizmente, nem sempre consegue pedir ajuda a tempo.
O problema não está apenas nos números. Está no silêncio que ainda envolve milhares de mulheres todos os dias.
A parte mais dolorosa: muitas poderiam ter sido salvas
Uma das realidades mais duras é que grande parte das vítimas já havia sofrido algum tipo de violência antes. Muitas já tinham contado a alguém. Algumas chegaram a registrar ocorrência. Outras desistiram por medo, vergonha ou falta de apoio.
A violência doméstica cria um ciclo difícil de romper. O agressor pede desculpas, promete mudar, demonstra arrependimento. A vítima acredita, espera, tenta mais uma vez.
Até que o risco se torna irreversível.
Por isso, reconhecer os sinais é uma das formas mais importantes de prevenção.
Qual é a hora certa de parar?
Talvez a pergunta mais difícil seja essa.
Não existe uma resposta única. Mas existe uma verdade que precisa ser dita com clareza: a hora certa de parar é antes que a violência vire sentença.
É quando o respeito acaba. Quando o medo se instala. Quando o controle substitui o cuidado. Quando a relação deixa de ser abrigo e passa a ser ameaça.
Pedir ajuda não é fraqueza. Sair não é fracasso. Denunciar não é traição.
É proteção. É coragem. É amor-próprio.
Onde buscar ajuda
Nenhuma mulher precisa enfrentar isso sozinha.
No Brasil, o Disque 180 funciona 24 horas por dia, gratuitamente, oferecendo orientação, acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção à mulher.
Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.
Existem ainda delegacias especializadas, centros de atendimento à mulher e serviços de apoio psicológico e jurídico em diversas cidades do país.
Para terminar… uma reflexão necessária
Talvez a pergunta que fica não seja apenas “por que tantas mulheres ainda morrem dentro de casa?”.
Talvez seja: por que ainda permitimos que tantas mulheres tenham que escolher entre o medo e a própria vida?
Que essa matéria seja um convite ao cuidado, à atenção e à coragem. Porque nenhuma mulher deveria precisar descobrir, tarde demais, qual era a hora certa de parar.




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